Olha o Trem!

Olha o Trem!
: : Morretes : : Foi elevada a termo em 21/05/1.892, pela Lei nº 15.

Uma Noite de Sangue

Novos detalhes da impressionante tragédia em Morretes


MORRETES 16. 03. 1938 (Do nosso correspondente) – Perdura ainda no espírito público o impressionande crime de ontem à noite, do qual foram protagonistas Paulo Kuróski, mecânico e Aragô Morais, Delegado de polícia, a vítima. O crime revoltou pela irresponsabilidade do autor que não trepidou em alvejar mortalmente uma autoridade de proficiente, honrado pai de família, pessoa enfim estimada por todos em Morretes.


O Crime


Aproximadamente à 1:30 h da noite de 15 para 16 do corrente, o senhor Aragô Morais, acabava de fazer uma difícil diligência, que relataremos adiante, quando, após ter estado um momento no Bar Nhundiaquara tomando café, regressou para a sua residência. Antes porém de atingi-la, ao dobrar a esquina da casa Maia, o delegado deparou com o mecânico Paulo Kuróski que sem mais preâmbulos sacou da sua arma e alvejou-o com um tiro. A bala não atingiu o alvo, dando lugar a que o delegado sacasse também da sua arma e desfechasse contra o seu desafeto. Estabeleceu-se o tiroteio e, como o me caniço estivesse melhor colocado pois premeditara o crime, atingiu com um dos seus tiros o pescoço do Delegado. O ferimento foi mortal. O projétil penetrou na medula, interessando a espinha dorsal. O Sr. Aragô caiu em consequência desse grave ferimento, enquanto que o criminoso fugia para lugar ignorado.


As autoridades


Ao que se sabe até agora, nenhuma pessoa foi testemunha ocular do fato. Porém havia gente perto que correu imediatamente em socorro da vítima, recolhendo-a à sua residência, avisando o Prefeito Zattar e tomando os primeiros cuidados médicos. O Prefeito Zattar comunicou-se imediatamente com as autoridades de Curitiba, Paranaguá e Antonina. Tem sido elogiável os esforços de todos de capturar o autor do crime.


A vítima e seu estado


A vítima, como dissemos, é o senhor Aragô Morais, competente Delegado de Polícia de Morretes, casado com Dª Esther Simões Morais, irmão dos Srs. Aguilar Agassiz e da Srª Aliete Morais. O seu estado, até o momento em que escrevemos estas linhas continua inspirando sérios cuidados.


Está em Curitiba para onde o levaram para o exame radiográfico e extração do projétil.


O autor do Crime


Paulo Kuróski é mecânico, casado com Dª Nélly Kuroski, apesar de ser tido como um tanto violento, contava com amizades em virtude do seu constante bom humor. O crime que praticou e que com tanta veemência o povo morretense deplora, impõe que seja plenamente esclarecido nos seus motivos para que a justiça se faça sentir em toda a sua plenitude.


Foragido


Até o momento em que escrevemos estas linhas, não havia sido efetuada a prisão do criminoso.


Causas do Crime


Questões de pouca importância entre vizinhas, agravadas depois com disque-disques, fizeram com que Paulo Kuróski exigisse da Delegacia de Polícia, a prisão da esposa do Sr. José da Costa e uma das suas filhas. Como a delegacia não pudesse agir dessa forma sem praticar uma violência, pois não havia provas concretas sobre o alegado, apenas diligenciou a respeito, o que descontentou Paulo Kuróski, originando-se daí, a sua raiva do Delegado de Polícia, que culminou com a tragédia de ontem.


Outro Fato


Outro fato registrado na mesma noite do crime, foi a de um roubo de uma taboa no quadro da Estrada de Ferro, cometido por Ramon Hespanhól. O Roubo foi presenciado pelo guardião Bertolino Cardoso que gritou para o “gato” largar a taboa. Como este não atendesse, o guardião armou-se de uma espingarda, descarregando uma carga de chumbo nas suas pernas.


Sobre este fato a Estrada de Ferro abrirá inquérito. Se de um lado o Sr. Bertolino agiu no cumprimento de sua obrigação, d’outro agiu, ao nosso ver, com violência, pois o caso não requeria o meio empregado. O estado de Ramon Hespanhól é um tanto melindroso, visto que a carga de chumbo atingiu em cheio as suas pernas, indo causar-lhe talvez um aleijamento. Está para ser esclarecido também, se é permitido, por quem de direito, o uso de armas de fogo num quadro de estação completamente aberto, como é o de Morretes, onde transita livremente e em qualquer hora qualquer pessoa.

Ainda o Crime de Morretes



Falecimento da Vítima

(18.03.1938)


Morretes, 17 (Do nosso correspondente) – Às 2:30h da madrugada de ontem, faleceu na Santa Casa de Misericórdia, a despeito de todos os recursos médicos, o inditoso senhor Aragô Moraes, vítima da perversidade do senhor Paulo Kuróski. O seu ferimento, alíás, era de natureza gravíssima, só cabendo esperança do seu salvamento aos que, pelo grande amor devotado, procuravam iludir-se a si próprios. O seu corpo foi transportado para esta cidade em automóvel, aqui chegando às 15:00h.

Os Funerais

Até o momento em que escrevemos estas linhas, não foi realizado ainda o funeral, que está marcado para as 17:00h. O povo, porém, já se aglomera em frente à residência do extinto, fazendo-nos crer que o acompanhamento do caixão mortuário será uma verdadeira apoteóse.

No cemitério , faltará o Sr. Adalberto Brambilla.


Comércio Fecha as Portas


Das 16:30h às 18:00h o comércio em peso fechará as portas em homenagem ao extinto. Todos os comerciantes e indústrias locais assinaram uma lista propondo-se a essa última homenagem a Aragô Moraes.


As Autoridades e Médicos


Grande foi o esforço de todas as autoridades e médicos para salvar o ferido e capturar o criminoso. A falta de espaço não permite destacar nomes, porém, todos sabem que o povo morretense lhes agradece.


O Extinto


Aragô Moraes tinha 41 anos de idade. Inteligente e trabalhador, grangeou a estima e o respeito de todos. Lutador, não esmorecia ante as dificuldades da vida. Quando a morte o colheu, satisfazia na Prefeitura Municipal a serviços extraordinários, o que lhe dava modesto rendimento. Como delegado de Polícia, não era remunerado, como não o são todos os delegados do Interior. Agora aguardava a sua nomeação de analista bromatológico da aguardente. Deixa viúva Dª Ester Simões Moraes e na orfandade dos seguintes filhos menores: Atevita, Aliéte, Aroldo, Azilde, Anele e Arizon. Era irmão do Sr. Aguillar Moraes, do Sr. Agassiz Moraes, funcionário publico estadual e da Sras. Aliete M. Joanides e Ady M. Rubele.


Ainda Foragido


Ainda não foi preso o assassino.

A polícia do Estado continua ativamente no seu encalço.

A INUNDAÇÃO TIROU O CRIMINOSO DA TOCA!



Por reagir à voz de prisão, a polícia de Paranaguá e Morretes matou o assassino do Delegado

Aragô Moraes

Morretes, 21 (Do nosso Correspondente) – O Sr. Pacifico P. Zattar, que no momento acumula os cargos de Prefeito Municipal e Delegado de Polícia, forneceu-nos informes sobre a captura de Paulo Kuróski, covarde assassino de Aragô Morais.

Relatemos o fato :

Desde a perpetração do crime que Paulo Kuróski estava foragido. A Polícia de todo Estado estava ativamente no seu encalço, dando-nos a impressão de que não falharia em hora tão precisa.

E assim aconteceu. Sábado último às 9 horas da manhã, Espírito José da Silva, inspetor policial de Candonga, deste município, avistou o criminoso naquela zona, mandando avisar o delegado Zattar e seguindo de longe a pista do delinquente.

Ipso fato, a nossa autouridade comunicou-se pelo telefone com as autoridades de Paranaguá e Curitiba, vindo incontinente da primeira cidade um numeroso destacamento policial , sob o comando pessoal do Ten. Aristides Rodrigues da Silva.

Daqui partiram, em quatro automóveis, o destacamento local, mais alguns civis, inclusive um irmão e cunhado da vítima, todos muito bem armados e municiados. Dispostos a tudo para fazer prevalecer a Justiça.

No lugar “Passa Sete”, em que se sai da estrada de Paranaguá para entrar na região do Rio Sagrado, encontraram-se as forças de Paranaguá e Morretes, sendo aí feita a distribuição dos homens que marcharam por caminhos dificultosos.

Cada grupo de homens levou um guia, conhecedor da região, sendo que a maior escolta seguiu a região mais provavelmente trilhada pelo criminoso.

Partindo pela Pedra Branca, passou essa escolta pelo Morro Alto, atingindo a Limeira.

Em seguida rumaram para Ribeiro Grande, pois com perspicácia, já havia o comandante da escolta, Manoel Ribeiro dos Santos, percebido vestígios da passagem de Paulo Kuróski.

Ao chegarem na casa de Generoso Agostinho, foi revelado à escolta que o criminoso poderia estar num barracão abandonado distante 200 metros dali.

O guia do grupo, Manoel Nogueira (Poly), levou os homens na direção indicada, sendo imediatamente cercado o barracão.

À aproximação lenta, foi pressentida a presença do criminoso naquela casa abandonada. Estava deitado, naturalmente exausto.

Recebeu de longe voz de prisão, em resposta a qual os representantes da justiça receberam um tiro, que felizmente não atingiu ao alvo.

Em represália, os homens da escolta detonaram as suas armas contra o criminoso. Estabeleceu-se um tiroteio que foi breve, pois um tiro certeiro dado por um dos soldados, apanhou em cheio o criminoso, matando-o instantaneamente.

Na impossibilidade de transportarem o corpo em que estavam (Furta-Maré) para Morretes, a escolta providenciou a ida do corpo para Guaratuba, onde foi sepultado.

Das diversas escoltas existentes no litoral, aque exterminou a vida do perigoso assassino era composta dos seguintes homens: - Mario Ribeiro dos Santos, Juveniano de Paiva, Antonio Correia, José Galdino (Praxédes), Generoso Agostinho, Antonio Francisco, Manoel Nogueira, Lino de Freitas e um moço pintor de casas, cujo nome não pudemos anotar.

A morte do criminoso foi comunicada às autoridades competentes, sendo que, em virtude disso, a sua mulher Nély, que se achava presa em Paranaguá, será solta.

E assim foi que a enchente do dia 19 auxiliou o extermínio de Paulo Kuróski, porque este, ao que tudo indica, estava em um lugar muito seguro, só sendo obrigado a abandoná-lo em virtude das águas que subiram.

E a sociedade ficou livre desse indesejável elemento, graças aos esforços de todas as autoridades.

A sua mulher Nély que, como se sabe, instigou o marido à prática de crime, é também uma pessoa indesejável em Morretes, razão porque a sua mudança para outro lugar é aqui aceita com satisfação.

Morretes – 22/03/1938.

UMA TATUADA QUE REDUNDA EM CRIME

Lamentável Episódio em Morretes




MORRETES ( Da Sucursal)

À meia-noite de sábado, registrou-se nesta cidade atroz crime, praticado por três rapazes de fora, que aqui pretendiam, segundo declaram, efetuar uma caçada de tatus.

Para esse fim, traziam eles, dentro dum saco, dois cabos, um de picareta, outro de cortadeira e mais algum material.

Residem eles em Curitiba e chamam-se Emelino Fanini, João e Donato Neumann.

Relatemos o fato, segundo o depoimento de uma das principais testemunhas, cujas declarações parecem conter toda a verdade, visto serem confirmadas por outras;

À meia-noite de sábado desembarcaram do trem de carga que chegou àquela hora os ferroviários Gracia, um seu companheiro cujo nome não pudemos anotar e Olívio Manoel Pinto, este último guarda-freios muito estimado na classe ferroviária, casado, residente nesta cidade, genro do conhecido artista-marceneiro, Sr. Nestor Miranda.

Ao se aproximarem da rua 15 de novembro, na esquina da Casa Maia, foram os ferroviários interpelados por uma mulher da vida alegre, de nome Olga Tasso da Silva, a qual queria saber se o seu amigo Jesus de Tal também tinha vindo naquele trem.

Nisto aproximam-se do pequeno grupo três rapazes desconhecidos, que, com ar de deboche, perguntaram onde se podia dormir.

Olívio Manoel Pinto encarregou-se de responder, citando os hotéis da cidade, mas, a cada hotel mencionado, um grupo respondia que não tinha mais lugar, ao que Olívio respondeu que então se arranjassem.

Perguntaram então os rapazes onde tinha uma casa de mulheres da vida.

Olívio respondeu que não sabia, que procurassem. Então um dos do grupo disse já exaltado: “pois se você é um “caf-tan” como não saberá onde tem?”.

Ofendido com estas palavras, Olívio ameaçou replicar com uma lanterna que tinha nas mãos. Incontinenti os três do grupo entraram a provocar Olívio e os seus dois companheiros, originando-se daí troca de alguns empurrões e lanternadas, quando em dado momento, um dos do grupo, usando o cabo da picareta, deu fortíssima pancada à traição na nuca de Olívio, prostando-se por terra gravemente ferido.

Correram ao local populares e polícia que efetuou a prisão dos desordeiros e removeu o ferido para a farmácia mais próxima onde foram-lhe ministrados os primeiros curativos.

A propósito do lamentável ocorrido, o Sr. Gustavo Richter, 1º Suplente de Delegado de Polícia em exercício, abriu rigoroso inquérito.

Durante o dia de ontem foram tomados por termos, pelo Sr. Clemente Consentino, Escrivão do Crime, os depoimentos dos protagonistas da ocorrência e das principais testemunhas.

A vítima, cujo estado é deveras melindroso seguiu domingo à tarde para Curitiba, a fim de se submeter a exames de Raio X, etc. Escrevendo mais esta página negra do noticiário policial da cidade, estivemos pensando na necessidade que se faz sentir aqui de melhor policiamento pois o destacamento local conta apenas com o sargento comandante e mais duas praças, o que é absolutamente insuficiente, porque se de um lado o nosso povo é ordeiro, doutro o fato de ser Morretes um entroncamento da Estrada de Ferro e de rodagem, importa na presença frequente de elementos estranhos e maus, muito perigosos para a sociedade.

Eis porque apelamos para a Chefia de Polícia do Estado atenda aos pedidos já formulados pela Delegacia local, para a vinda de maior número de mantenedores da ordem.

N. R – Ontem, pelo trem misto procedente de Morretes, chegou a esta capital Olívio Pinto, vítima da brutal agressão, achando-se internado na Casa de Saúde Erasto Gaertner, em estado grave, pelo que não foi possível às nossas autoridades policiais tomar as suas declarações.

PEDRA FUNDAMENTAL DO ORFANATO



Curitiba – 4ª feira, 11 de julho de 1951

NOTÍCIAS DE MORRETES



(Do Correspondente)

Com a presença do exmo. Sr. Arlindo de Castro Prefeito Municipal, do Rvmo. Pe. João Camargo, Vigário da Paróquia, da exma. Sra. Maria Trindade M. Villanova, Presidente da Pia União Santo Antônio, e de outras autoridades e elevado público, teve lugar na manhã de domingo último a cerimônia de lançamento da pedra fundamental do edifício do Orfanato Santo Antônio, cuja construção se inicia no terreno da rua Cel. Modesto, ao lado da Igreja Matriz.

De início, as senhoras madrinhas, em número de quarenta, seguraram a corrente simbólica, tendo o Rvmo. Vigário feito a bênção do local. O Sr. Marcos Luiz De Bona em nome da congregação Mariana, saudou os idealizadores da meritória obra, falando em seguida o Rvmo. Pe. Artidório Aniceto de Lima, Missionário do Sagrado Coração, cuja oração foi um hino de louvor aos sentimentos cristãos do povo de Morretes. Aliás, este Missionário e mais o outro integrante das Missões, Rvmo Pe. Elias, conquistaram o coração dos morretenses na piedosa desincumbência aos mesmos atribuída de espargirem os raios da fé e de assistirem espiritualmente o povo, praticando ainda ações e obras em benefício do próximo.

O terceiro orador foi o senhor Arlindo de Castro, que em nome dos poderes públicos se congratulou com a notável iniciativa.

No cofre de pedra foi depositado um pergaminho com os nomes das madrinhas e palavras alusivas ao ato, tendo as autoridades e o Órfão José Armando Gonçalves lançado as primeiras colheres de massa na base do edifício sob vibrantes salva de palmas.

No decorrer dos discursos foram feitas merecidas referências as seguintes pessoas que de uma forma e de outra vêm contribuindo para a consecução deste desinteratum, com o apoio espontâneo dos habitantes do Município. Rvmo. Pe. João Camargo, Deputado Federal Dr. Lauro Lopes, Sr. Humberto Malucelli, Sras Maria T. Villanova, Maria Bridaroli Malucelli, Marieta França, Gessy Pinto de Jesus, Judit B. Malucelli, e Zilda Gomes Cavagnolli, Srs. Adalberto Villanova , Sebastião Cavagnolli e João Scremin.

Romário Martins - Terra e Gente do Paraná

João de Deus Freitas – Nasceu em Morretes, devido a sua iniciativa e capitais, instalou-se na referida cidade em 1908, a primeira fábrica de papel e papelão que possuiu o Paraná e possivelmente o Brasil.

A fábrica, que funcionou sob a firma J. de Freitas & Cia, aproveitava como matéria prima o caule do “lírio do brejo” abundante naquele município.

Mais tarde foi a fábrica adquirida por uma firma americana e depois pelo Sr. H. A. Bergan.

José Francisco da Rocha Pombo – Nasceu em Morretes , a 4 de dezembro de 1957 e faleceu no Rio de Janeiro a 26 de junho de 1933. Cerebração potente, tudo através do seu espírito e do seu temperamento assumia proporções mal pressentidas pelas inteligências comuns. Foi brilhante figura do jornalismo paranaense, fundando em Morretes, o “O Povo”, em 1879, periódico republicano; o “Diário dos Campos” em Ponta Grossa; o “Diário do Comércio” em Curitiba. Romancista e novelista, publicou: “A Hora do Barão”, “Dadá”, “Petrucello”, “Supremacia do Ideal”, “Visões”, “A Religião do Belo”.

Foi sua a iniciativa da fundação de uma universidade em Curitiba, que chegou ao lançamento da pedra fundamental de um edifício no Largo Ouvidor Pardinho. A ideia só havia de ressurgir e então com êxito, conduzida pelos senhores doutores Victor do Amaral e Nilo Cairo.

Rocha Pombo, em 1897, mudou para o Rio de Janeiro a sua residência. Se não o tivesse feito não seria o nome nacional que veio a ser como professor e como autor. A suaHistória do Brasil em nove volumes, é o mais grandioso monumento sobre o assunto, que assinala a presença na elite cultural do país, de um grande e operoso espírito. Além desse trabalho que por si só justifica a glória de um nome, Rocha Pombo é autor de obras didáticas de história regional brasileira e de história americana. Sua contribuição nesse ramo de conhecimento, é a maior dentre autores brasileiros. Maior e mais completa.

José Gonçalves de Morais – Nasceu em Morretes a 15 de janeiro de 1849 e faleceu na mesma cidade a 21 de setembro de 1909. Poeta e prosador de escol entre os seus contemporâneos, aos 18 anos publicou um livro de versos Semprevivas. Longos anos da sua vida escreveu para jornais e revistas paranaenses. Durante vários anos dirigiu o Almanaque Paranaense, editado pela Impressora Paranaense. Poeta e novelista, seus trabalhos igualam aos dos melhores autores nacionais. “É um homem de verdadeiro talento”, dele disse Rocha Pombo em O Paraná no Centenário. Deixou inédito um romance realista Maria Clara e numerosas poesias e contos, principalmente humorísticos, nos quais pode-se dizer que ninguém o excedeu no Paraná. Foi deputado em várias legislaturas.

Silveira Neto (Manoel Azevedo da Silveira Neto) – Nasceu em Morretes a 4 de janeiro de 1872. Seguiu a carreira da receita federal, onde atingiu altos postos e comissões de importância como as de inspetor de alfândegas e de delegacias do tesouro nacional.

Diplomado em Filosofia e Letras pela Faculdade do Rio de Janeiro.

Foi um dos quatro idealistas do Cenáculo”, com Dario Velozo, Júlio Perneta e Antonio Braga.

Antes de ingressar nas letras, seu pendor artístico foi pela pintura, em 1888, matriculando-se na Escola de Belas Artes fundada e dirigida nesse ano pelo artista português prof. Mariano de Lima. Foi-lhe proveitosa essa aprendizagem, pois a proclamação da República encontrou-o trabalhando na seção de gravura da Litografia do Comércio do prof. Narciso Filgueiras e vivendo dos modestos ornamentos desse emprego. Em 1895, já incorporado ao Cenáculo, núcleo simbolista de repercussão no país, a persistente inclinação do seu espírito pela pintura fê-lo discípulo de Alfredo Andersen, que então surgia em Curitiba com a magia do seu pincel despertando as almas sensíveis e anunciando a presença de um extraordinário artista.

Em 1900 estava no Rio de Janeiro e aí publicava, com prefácio de Nestor Victor, a sua obra prima, o livro de versos Luar de Inverno, que emparelhou com as mais notáveis do período simbolista do Brasil, onde teve rememorável repercussão e mereceu movimentados aplausos de notáveis escritores desse tempo, tais como Artur Azevedo, Medeiros de Albuquerque, Veiga Miranda, Frota Pessoa, João Itiberê (Ivan d’ Unac), Hélio Morais Filho, Andrade Muricy e outros cultores da crítica literária.

Fundou várias revistas no Paraná, a começar pela A Luta, com Manoel Perneta (seu primeiro ensaio na imprensa) ; O Guaraní, revista ilustrada, com Augusto Stresser; Turris Eburnea, com Romário Martins: Pallium, com Julio Perneta.

No ano em que publicou Luar de Inverno (1900), publicou também Antônio Nobre, uma elegia do poeta triste de Portugal, - em luxuosa plaquete ilustrada pelo seu lápis destro e delicado. Em 1912 publicou Do Guaíra aos Saltos do Iguaçú, o melhor livro, até então, sobre as duas famosas cachoeiras paranaenses. Em 1913 escreveu uma elegia comemorativa do felecimento do notável compositor e pianista paranaense, o diplomata Brasílio Itiberê da Cunha, - musicada pelo maestro Léo Kesler e cantada, com grande sucesso, em Curitiba. Em 1914 tinha pronto o libreto de uma tragédia O Bandeirante, que Augusto Stresser poria em música, o que não aconteceu por prematura morte do compositor.

Mais três livros de Silveira Neto: Ronda Crepuscular (versos) ; Palavras de Hoje(prosa) ; e O Sonho de Cresus (poema).


Paulo Assunção (Paulo Ildefonso d’Assunção) – Fez o curso da Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro. De regresso a Curitiba, sua cidade natal, fundou o Conservatório de Belas Artes do Paraná, que conseguiu manter por vários anos.

Criadas as Escolas de Aprendizes Artífices na presidência Nilo Peçanha, a Paulo Assunção foi confiada a direção da do Paraná. Tal foi a organização dada pelo devotado e ilustre paranaense ao estabelecimento, que essa organização foi adotada pelo governo federal para todas as escolas similares do país, e Paulo Assunção comissionado para fazer a necessária adaptação nos estados do Nordeste e Norte da República.

Era cronista e crítico de arte, e ninguém o excedeu, no Paraná, nesse campo de cultura especializada.

Autor dramático de mérito, jornalista elegante e de vastos recursos; professor, elemento social raro e brilhante.

Seu desaparecimento em 1928, encerrou na sociedade curitibana um período dos mais distintos, do qual fora Paulo Assunção o animador sem contraste.

Fernando Amaro de Miranda – Nasceu em Paranaguá em 1832 e faleceu em Morretes em 1857. Poeta, não fez senão cantar até morrer aos 25 anos de sua vida. Publicou em 1954 um livro, Pulsações da Minha Vida e Leôncio Correia conseguiu editor para um outro, cremos que em 1896. Além desses foi impresso pelo autor, o poemeto Armia, que parece conter os seus melhores versos. Teve bons biógrafos e críticos em Silveira Neto e Santa Rita Júnior.

Antonio Ribeiro de Macedo – Nasceu a 15 de fevereiro de 1843, em Morretes, na então povoação de Porto de Cima, sobre cuja localidade escreveu uma interessante monografia.

Foi escritor de relevo no seu tempo, sempre preocupado com assuntos ligados à defesa e ao progresso do Paraná.

São de sua autoria: Questão Social, A Miséria é ou não possível de evitar; Questão de Limites entre Paraná e Santa Catarina; Questão Econômica; Salvai o Paraná (opúsculo sobre a Erva-Mate) ; Breves Informações sobre a Província do Paraná (publicadas na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro)

Como jornalista editou e dirigiu “O Progresso”, em Antonina; e colaborou assiduamente nos principais jornais de Curitiba. Seus artigos sempre objetivaram altos assuntos de real interesse regional, nacional e humano, e foram geralmente acatados pelos seus concidadãos. Sua obra de escritor lhe deu entrada no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Instituto Histórico e Geográfico Paranaense e Associação Paranaense de Imprensa.

(Romário Martins - Terra e Gente do Paraná)

A Inauguração da Estrada de Rodagem Morretes-Barreiros

A Eficiente Administração Municipal do Sr. Coronel Luiz Brambilla

A COMITIVA OFICIAL – O PRESIDENTE DO ESTADO FEZ-SE REPRESENTAR, NA SOLENIDADE, PELO SECRETÁRIO DO INTERIOR E JUSTIÇA.



Basta dizer que pela estrada de Barreiros, ontem inaugurada, a firma N. Basberi e Cia, de Morretes, embarcou no vapor “Claudia M.”, com destino à república argentina, 5.000 cachos de bananas. Outros comerciantes do próspero município, exportaram nesses últimos dias, para as Repúblicas do Rio da Prata, 5.622 cachos desse valioso produto agrícola.


Um fato necessário a registrar é a exportação anual do município de Morretes. Atinge a 3.000 contos, soma elevadíssima, relativamente aos demais do estado. Em certos anos essa importância elevou-se a algumas dezenas de contos de reis a mais.


A Inauguração da Estrada de Rodagem Morretes-Barreiros


A Prefeitura de Morretes, tendo à frente o espírito honesto e operoso do industrial Sr, Cel. Luiz Brambilla, trabalha com muito carinho pelo progresso do município.


Os negócios públicos do governo da cidade são ali conduzidos com raro critério e absoluta lisura. É suficiente essa afirmativa consoladora, que constitui o maior elogio ao ilustre prefeito Luiz Brambilla: o município de Morretes não deve nada a ninguém e possui nos cofres, regular saldo. As suas finanças estão bem equilibradas. A votação da receita e despesas são feitas a contento coletivo. O dinheiro público tem aplicação rigorosamente honesta e visa unicamente o bem-estar geral da população morretense.


O Cel. Brambilla, homem de ampla visão administrativa, auxiliado poderosamente pelo Legislativo municipal, que age de comum acordo com o Executivo na defesa dos interesses municipais, ocupa aquele posto já há alguns anos, no qual só tem sido vitoriado pela população que o acata e aceita satisfatoriamente todas as suas decisões – sempre justas e criteriosas e vindo sempre ao encontro das aspirações populares.


O Sr. Aguilar Moraes, nosso distinto confrade de imprensa, moço trabalhador e inteligente, na qualidade de secretário da Prefeitura e da Câmara, tem se esforçado muito, desempenhando operosa e proficientemente as suas funções.


Diário da Tarde – 29.09.1930